arquivo | maio, 2011

Mais brasileira que eu

Enquanto o Brasil discute seus plurais, aproveito pra reparar nas frases de uma amiga estrangeira, que mora aqui há 20 anos e não se apoquenta com o folclore em torno das pequenas gafes que comete. Sua espontaneidade e alegria dão conta da comunicação, com muito mais charme que a gramática ou, no caso, o dicionário oficial. Algumas de suas “criações”:

 Você assinou o abaixo assassinato?

Dá um zoomp pra chegar mais perto!

Se o sapato tá grande coloca um palmito!

Pode ir dormir em casa, nós temos colchão inflamável!

Tá com frio? Coloca um cachepot no pescoço!

Só saio de casa pra jantar depois que termina o favela das 9.

Na dúvida submeti esse post antes de publicar. A resposta: CHOREI DE RIR, PODE POSTAR SEM PROBLEMAS NENHUMA!!     (RL)

Invejones

Existe um hiato entre aquilo que somos e aquilo que acreditamos ser. Tenho uma teoria em que só passamos a nos conhecer realmente quando somos confrontados. É muito fácil sermos éticos e altruístas em uma zona de conforto. Digo isso para confessar que ao ser confrontada esse fim de semana, descobri mais um defeito em mim: sou invejosa! Tudo ia bem até sábado a noite. Estava aqui curtindo um friozinho, lareira, sopinha, pilha de filmes e me perguntando se poderia ser mais feliz. Recebi um e-mail da Renata e descobri que sim, poderia ser mais feliz! Sem ponderaciones, ela me passa o texto contando dessa maravilha. E eu aqui, sem nem um pote de doce de leite pra conter a vontade. Fui dormir com desejo. Acordei com desejo. E fui procurar ponderaciones. E não encontrei. Minha filha sugeriu “ah mãe, vai no Fran’s e come um churros’! Essa geração habituada com genéricos comete esses sacrilégios. Enfim, tive mesmo que recorrer a um genérico. Ponderaciones a parte, até que gostosinho. Mas continuo com meu hiato: aquilo que eu tenho e aquilo que eu quero ter. Ah invejones… (RM)

Ponderaciones

Eu nem sabia que a culinária Peruana tava bombando. Descobri ontem no aniversário da Irene, uma moça que eu tenho a sorte de conhecer e que  por sua vez tem a sorte de ter um filho chef de cozinha. Pisco sours, papas rellenas, chicharrón novoandino, pato à moda de Chepén, purê de batatas doces, arroz de frutos do mar, caudas de centolla, entre outros salgados desconhecidos e deliciosos. 4  e meia da tarde, temperatura caindo quando eis que trazem as sobremesas. A formiga aqui até revira os olhos de tanta empolgação. Suspiro de limeña em taças, torta de nozes e por fim um prato cheio de massinhas em espiral sobre uma fina camada  de doce de leite: ponderaciones. Pirei. Fui atrás de explicaciones. Aprendi que essa é uma sobremesa peruana antiga. É preciso ter uma ferramenta especial, parecida com esses ferros de marcar gado, pra conseguir fritar a massa desse jeito.  Crocantíssimas, formidáveis, inesquecíveis. Cantamos parabéns e Irene deu sua risada.    (RL)

À propósito:

Irene Ri, de Caetano Veloso

Nós vemos, mas não enxergamos

Meu prédio está cercado de construções. Dizem que na região irão erguer 38 torres. Ou seja, impossível não reparar no barulho, nos caminhões, na sujeira e na cantoria dos pedreiros. Mas é impossível também não reparar nos meninos e meninas placa. São vários. Faço um itinerário insano diariamente e, entre idas e vindas, eles permanecem lá, sob sol ou chuva. Carregam aquela placa em forma de seta que aponta a direção ao imóvel novo. Direção que eles mesmos não podem seguir. Imagino a frustração de um professor que se dedica na formação dos seus alunos. Alunos que viram placas. Nós os vemos, mas não os enxergamos. Essa semana ficamos sabendo que eles também poderão escrever errado, para não se sentirem diminuídos. E teremos professores que veem, mas não enxergam.  O vídeo abaixo nos mostra o que sempre vemos. E como podemos nos fazer enxergar. (RM)

Filó

Ela é fofa, simpática e brincalhona mas detesta tirar foto. Reparem no tédio canino com que ela me olha, quando enfim olha e praticamente fala: “ Melhor tirar logo o raio da foto pra essa humana parar de me azucrinar.” Essa alergia às câmeras é sua marca pessoal. Uma cã discreta e descolada.

Acreditando que os cães se parecem com seus donos, reflito: ela é bem mais “fofa” que eu, sem dúvida mais brincalhona que eu, incondicionalmente mais amiga que eu, irritantemente mais sossegada que eu.

Conclusão: do alto de seus 60 caninos anos, a Filó é a minha cara só que incrivelmente evoluída. E mesmo à contragosto,  é também mais fotogênica que eu.  Se vocês não percebem isso a culpa é da fotógrafa aqui.   (RL)

Procura-se

Procuro alguém que possa dividir comigo situações embaraçosas. As mais diversas, se possível. Infelizmente protagonizo muitas. Tombos são minha especialidade, desde os mais simplinhos aos mais cinematográficos, quando por exemplo você cai com os braços abertos, tipo Jesus Cristo, segurando as compras do mercado. Trocar nomes também faz parte do meu rol de constrangimentos; creio que em parte por fazer associações. No último episódio chamei o corretor de Anador em aproximadamente cinco oportunidades, até ser corrigida e descobrir que ele se chama Alívio. Carro é outro problema grave. Já dei vexame em estacionamento por ele ter sido roubado, quando na verdade ele estava lá, estacionado. As colunas da minha garagem também são fontes de grande constrangimento, mas felizmente já peguei o jeito e agora arranho a lataria sempre no mesmo lugar. Terceiros contribuem para esse meu desajuste social, como minha funcionária do lar por exemplo. Ela é exemplar e pediu essa semana para comprar um uniforme de frio. Insistiu para que comprasse e assim pudesse escolher algo adequado e confortável. Ontem ela me aparece feliz da vida, num visual indescritível, com um conjunto de moletom saído do musical FAME… Sinceramente:  só comigo que acontecem essas coisas? (RM)

Bolinho sem pai nem mãe

Minha cunhada faz um muffin maravilhoso. Na amizade, me deu a receita. Coloquei lá: Muffin da Tia Didi que é como a minha filha, devoradora dos bolinhos, chama a tia. Já fizemos muitas vezes e o lanchinho virou campeão de audiência nos (muf)fins de semana fora de SP. Outro dia, com hóspedes em casa,  passei pra frente ingredientes,  modo de fazer e variações.  Minha amiga escreveu sem pestanejar: Muffin de Itatiba. Tadinho do bolinho, crise de identidade, que maldade! Diante disso,  resolvi oferecer o bolinho pra adoção. Tomo  a liberdade de rebatizar provisoriamente como Muffin do Reparei aquele que já foi da Tia Didi, de Itatiba e que agora pode ser – nhac, nhac –  um muffin pra chamar de seu!  (RL)

Muffin do Reparei

Ingredientes:

1 + ½ xicaras de farinha de trigo / 1 xicara de açúcar / 1 + ½ colher de chá de fermento em pó / ¼ colher de chá de bicarbonato de sódio / ¼ colher de chá de sal / ½ xicara de manteiga sem sal, aprox. ½ barra daquelas de tijolinho / 1 xicara de iogurte natural / 1 ovo grande / 1 colher de chá de extrato de baunilha

Aquecer o forno a 200 graus e preparar as forminhas(ou untar ou com papel). Numa tigela peneirar juntos a farinha, açúcar, fermento, bicarbonato e sal. Derreter a manteiga numa outra tigelinha e bater à mão, com o fouet, junto com iogurte, o ovo e a baunilha. Juntar a mistura liquida com os ingredientes secos até incorporar bem. Não precisa ficar super uniforme, é uma massa rústica e se bater muito o muffin fica duro. Dividir a massa nas forminhas, fica bem grossona, diferente da massa de bolo. E assar no meio do forno até dourar. O palito de teste tem de sair limpinho, aprox.. 20 minutos. Rende 12 muffins.

Ingredientes adicionais possíveis, escolha 1 pra acrescentar:

1 xic de chocolate ao leite, em gotas ou picado / 1 banana bem madura, amassada grosseiramente (ou duas!)+ ¾ xic de choc. Chips / 1 xic de amêndoas tostadas + ¾ xic de frutas vermelhas / Aqui em casa fazemos sempre com M& M’s

Dica: coloque pra esquentar de 10 a 15 segundos no micro, antes de comer!

(Não) Tem Preço!

 

Uma dessas peças publicitárias, brilhante na estratégia de estímulo ao consumo, nos lembra que algumas coisas “NÃO TÊM PREÇO”. Ledo engano, meu bem… Tudo tem um preço!  E pagarmos ou não é uma de nossas escolhas mais interessantes.

Lembrando o que vivi nos últimos dias foi que me dei conta disso. Paguei , sim, vários “preços”, para estar com Sir Paul McCartney. Tudo bem… Estava cercada por quase 45 mil pessoas, dentre elas algumas completamente especiais pra mim, o que tornou tudo ainda mais emocionante.

Nesse ponto vale lembrar que não sou necessariamente uma Beatlemaniaca. Mas o Paul é um amigo querido, que, com outros três caras geniais, ajudou a embalar a geração de minha mãe, a minha própria e, para minha satisfação musical, de meus filhos. A possibilidade de vê-lo “ao vivo e a cores” era, acima de tudo, uma oportunidade de lhe render uma homenagem mais do que merecida. Não teria outra chance.

Bem, voltando ao “preço” da “companhia” de Mr. McCartney:

Uma madrugada de tentativa frustrada de acesso à pré-venda, que resultou na montagem de uma estratégia de guerra, envolvendo quase toda família (exagero…), para conseguir disputadíssimos (e caros!) ingressos destinados aos pobres mortais. Incrível é depois saber que nossa luta foi fichinha perto de outras, cheias de emoção e riscos…

Logística, transportes, hospedagem, negociação para deixar tudo resolvido no trabalho e estar inteira no dia do grande encontro… Custou MUITO!

Pensa que acabou? E o “preço” do mico da quarentona excitada como uma adolescente, com lacinho vermelho iluminado na cabeça, urrando e assobiando feito uma louca e tentando acompanhar aquele “velhinho” em cada uma das músicas ao longo de quase três horas de show?! Seria mesmo ridículo, não fosse tão gostoso!

TEVE PREÇO, SIM, e pensar no quanto “paguei” é muito bom!

 “Porque só pra sempre eu vou sentir falta do show, dos momentos Beatles, … das minhas 90 mil lágrimas, dos decibéis esgoelados, do Rio, do Paul, de tudo.”

Ananda Lima Hassan

Blackbird

Blackbird singing in the dead of the night

Take these broken wings and learn to fly

All your life

You were only waiting for this moment to arise.

Texto escrito por Laura Lima, nossa querida amiga de Brasília.

Cidade Maravilhosa

Rio é outro astral. É um clima de férias, de festa, de alegria o tempo todo. Junte-se a isso a expectativa para o show do Paul, aliado a ótimas companhias e, garanto, seu fim de semana será incrível. O nosso foi, ainda que um ou outro tenha tomado pito. Programas simples como  passear no calçadão, na lagoa, ou quem sabe colocar a conversa em dia no Forte de Copacabana, tornam-se inesquecíveis. Aliás, experimentamos alguns programas surpreendentes também. Fomos assistir Um Violinista no Telhado e saímos de lá em êxtase. Acho até que merece um post especial, assim como o show do Paul. Enfim, a viagem foi tão gostosa que nem vou reclamar do selvagem que sentou atrás de mim no voo. Nem vale a pena. Prefiro continuar lembrando apenas dos bons momentos. Esses sim merecem um post! (RM)

Reparaçõeshhh

Paulista quando vai ao Rio é que nem criança quando vai ao parquinho. Se esbalda e chora pra não ir embora. Paulista quando chega, nem bem desceu as escadinhas do avião já solta: nossa, tá calorrrr meijzmo! Com a maior naturalidade. Paulista acha graça no taxista flamenguista, no vendedor de biscoito Globo salgado e doce, no malho da Neusa (da barraca da Neusa), pra negociar o aluguel da melhor cadeirinha de praia daquele metro quadrado. Paulista vai ao restaurante da moda no Leblon, pede um suco de “tumate”, fica distraído procurando artista e nem percebe que esperou horas pra sentar. Finalmente sentado, o paulista ri quando o carioca da mesa vizinha derruba  água nele-paulista e o garçom logo tira o dele-garçom da reta dizendo “fui eu não, foi o careca alí ó”. Paulista se sente tão tão longe de São Paulo quando vai ao Rio que, passeando no calçadão com aquele marzão e o Corcovado e o Pão de Açucar e o Cristo…num surto de geo localização pergunta: “será que daqui dá pra ver Fernando de Noronha?”. Olha só…em reishpeito  a imagem da pessoa, não conto quem lançou essa pérola.    (RL)

Estamos de volta, após 3 dias analógicos na cidade maravilhosa!

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