arquivo | junho, 2011

Penso, logo existo!

Não sei se a diferença entre viver e morrer é simplesmente existir. A cada dia morremos ou vivemos mais um pouco? Pensava sobre esse assunto e recebi de um amigo o texto abaixo.

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.

Fragmentos do texto A Morte Devagar, de Martha Medeiros. (RM)

Hoje vai rolar

Eu sinto inveja todos os dias. Quem diz que não deseja nada que ainda não tem só pode estar se enganando. Mas quem sou eu pra falar dos outros. Minha inveja me basta. É que chego ao ponto de sentir inveja de mim mesma. Explico: Quando estou encalacrada no trânsito sinto inveja do momento anterior, eu sossegada em  casa. Quando tenho que sair correndo de manhã penso que poderia estar lendo meu jornal, tomando meu cafezinho sem pressa. Mas o que mais me persegue é a inveja de quem dorme. É uma inveja que se expande em várias sub invejas. Quem dorme rápido, quem dorme em avião, quem dorme a noite inteira sem levantar pra fazer xixi, quem dorme meia hora após o almoço e acorda revigorado. Ai, quanta inveja! Agora o que acaba comigo mesmo é que o cara metade com quem divido a cama há 22 anos é daqueles que chapa em 30 segundos, em qualquer lugar. Parece piada. Ele deita e dorme. É por isso que eu sinto inveja todos os dias, todas as noites, todos os voos, todas as madrugadas. Embora não alivie nadica, roncar eu não ronco.  (  RL)

Meia-Noite em Paris

Não sou dessas pessoas que tem paixões. Que amam um time de futebol ou colecionam coisas. Mas sou fascinada pela Paris da década de 20. Seus escritores, pintores, escultores…histórias que se cruzaram e deram origem a obras que venero. Não fosse Hitler possivelmente teríamos mais obras. Não fosse Woody Allen, possivelmente não teríamos um retrato tão fiel dessa geração. Meia Noite em Paris mostra, mais que o valor de suas obras, a essência dessa geração. Ainda que cada personagem seja retratado apenas com uma pincelada, está tudo ali. A boemia, a relação destrutiva dos Fitzgerald, a influência da G. Stein, a genialidade de Picasso, o impacto da 1a guerra em Hemingway, a loucura inspiradora dos surrealistas… Tudo isso misturado em um roteiro delicioso! Aqui vai um pouquinho do meu roteiro por Paris.  Nessa cidade, embarco na tentativa de voltar no tempo e viver, assim como o protagonista do filme, uma história única, pessoal e inesquecível.

Parada obrigatória! Silvia Beach, a proprietária da livraria não foi citada no filme. A Shakespeare era ponto de encontro dos intelectuais da época, entre eles J. Joyce. Silvia foi quem financiou Joyce durante o longo período em que ele escreveu Ulisses.

 

 

 

 

 

 

R. de Fleur, 27. Endereço da Gertrude Stein e Alice B. Toklas, famoso pelos saraus que aconteciam semanalmente. Ela que cunhou o termo Geração Perdida.

 

 

 

 

 

 

 

Le Dome, o local escolhido pelos artistas depois que o Closerie des Lillas passou a ser frequentado por turistas americanos. Ainda conserva a mesa de Hemingway.

 

 

 

 

 

 

P.S. Prometo que até a próxima viagem, faço um curso de fotografia! (RM)

Ser publicitária é mega monótono

Estou vivendo um momento cientista. E os culpados pelo desvio no meu destino são os grilos canibais, as formigas Cataglyphis, as células HeLa, os gafanhotos Laupalas, a bactéria A.Boonei, o brinco Lingling-o, e até o vulcão Vesúvio. Se você acompanha a coluna do biólogo Fernando Reinach no Estadão sabe do que estou falando. Como eu assino a Folha, demorei pra descobrir esse cara que pra mim, de agora em diante, é O cara. Ele transforma pesquisas cabeludas em histórias interessantíssimas. Fui assistir a uma palestra dele e saí com o livro ao lado debaixo do braço. É sério que me deu vontade de partir numa expedição em busca dos elos perdidos do planeta. Chego a pensar que se a ciência não exigisse tanta matemática, eu até me daria bem. Óculos e empolgação já tenho. Mas enquanto não surge uma oportunidade pra essa minha vocação até hoje adormecida, volto pra página 120, com o intrigante titulo: O que mata os diabos-da-tasmânia. Fui…porque curiosidade também mata.    (RL)

Confusão Oriental

Eu também não sei distinguir os povos orientais, que isso fique claro. Mas assim como não gosto de esclarecer que Buenos Aires não é a capital do Brasil, acredito que nenhum japonês goste de explicar que não é chinês e vice-versa. Pois bem, ontem estava com uma pessoa – por quem tenho muito carinho – aguardando uma terceira que nos seria apresentada. Extrovertida, ela chegou e foi logo tomando as rédeas do diálogo a seguir:

– Arigato, yakisoba!

– ????

– São as únicas palavras que sei em japonês!

– …Mas eu sou coreana.

– Aaaah japonês, chinês, coreano, é tudo o mesmo tsunami!

– !!!!!

– E então, o que vai ter pro almoço? Rolinho primavera?

– !!!!!

E assim seguimos, uma pérola atrás da outra, tarde adentro. Até que uma luz de esperança, por um breve momento, se acendeu: ela decidiu conhecer um pouco mais sobre a cultura oriental. Em Toronto…  (RM)

Ração Humana, pra peixe

Quando a indústria do entretenimento e da cosmética se juntam um dos resultados é esse: ZoolaFish, uma marca especializada em pedicure animal. Não é brincadeira. Ou melhor, é sim. Espiem a cara das pessoas:

 

 

 

 

 

 

 

O motivo pra tanto espanto e riso é esse:

10 libras dão direito a 15 minutos  de  pés mergulhados nesses tanquinhos. Uma vez submersos, começa a  esfoliação. Peixinhos comedores de pele morta grudam, beliscam, pinicam, dão um  verdadeiro “lustro” em pezinhos cansados.  No caso, quem deve se cansar são os coitadinhos dos peixes, obrigados a engolir um pé atrás do outro. Éca, me inclua fora dessa.      (RL)

Pra provar que não é mentira: www.zoolafish.com

Na hora do intervalo

Já pensei em escrever sobre esse assunto em outras oportunidades, mas confesso que considerando o teor acabei protelando. Ele vem a tona sempre que frequento determinados locais. Ontem por exemplo. Fui assistir um musical lindo, bem montado, com o coro mais impecável que já tive o prazer de escutar. O público aparentemente de um bom nível. Aparentemente. Somente até o momento de usar o toilette. Alguém consegue me explicar por que essas mulheres tão bem vestidas e muitas vezes afetadas não levam esses cuidados também para o toilette? A polidez dos modos cabem apenas no lobby do teatro? Creio que sim. Só faltam os desenhos indecentes e os palavrões rabiscados na parede. No mais, em nada difere de um banheiro de beira de estrada. A exceção de que o público deste último não finge ter classe… (RM)

Homenagem aos Santistas

Um a Zero – Pixinguinha

Ai que dó !

Quando o caldo entorna, quando o bicho pega, quando a porca torce o rabo, quando mela, quando suja, quando ferra, quando dança, quando já era, quando enrola, enrosca, quando o pau come, quando a coisa fica preta, quando vai tudo pro beleléu, quando a situação é osso, quando o gato sobe no telhado e a casa cai, quando não resta pedra sobre pedra, quando se chega ao fim da picada. Tudo isso me passa pela cabeça quando vejo um restaurante vazio vazio e outro bem ao lado, cheio até a tampa. Perto de casa tem dois estabelecimentos precisando  botar a viola e a  panela no saco, antes que seja tarde. Mas ai…que dó que me dá. Quando eu erro uma receita já fico péssima imagina errar um restaurante inteiro!   (RL)

Meu reino por um crachá!

Tenho um problema sério com nomes. Além de muitas vezes não associar o nome a pessoa, batizo a criatura com um nome que me parece mais adequado. E assim Heitor se torna Rafael, Patricia se torna Carla e Ana Helena se torna Maria Lucia. Eventos sociais são um desespero! E professores então? Um de cada matéria e com três filhas, peloamor!! Não é a toa que eles nos chamam de mãe, uma alternativa genérica. Aliás, achei a ideia ótima e resolvi adotar. E todos viraram querido ou querida. Problema foi ontem, enquanto brigava com a minha gerente. Depois de tanto tempo sem solucionar meu problema – e na dúvida se ela é Janaína ou Amanda – dei início a uma fase bipolar na minha vida, chamando de querida, enquanto mandava a m… (RM)

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