arquivo | setembro, 2011

Banheiro família

Presenciei essa cena na livraria do shopping ontem.

Mãe, cocô.

Marcio é a sua vez, ontem eu que levei.

Mas ontem eu que dei o banho.

Ontem você deu banho. Eu dou banho todo dia!

Eu levo pra escola todo dia.

Mãe, cocô cocô.

E eu arrumo pra escola todo dia. E dou banho.

Eu não vou levar. Ontem eu dei banho.

Cocô cocô.

Marcio, ele não tá aguentando mais.

Então leva ele logo.

Marcio, não é justo. Só eu que faço tudo.

COCÔ!!

Você que quis ter filho…

Na hora de fazer você não reclamou!!

COCÔÔÔÔ!!

 

O menino não aguentou… (RM)

Os ex – “idiotas da objetividade”

Quem diria. Antes fria e dona da verdade, a medicina tradicional vem flertando mais e mais com os tratamentos alternativos. Acupuntura já é normal. Também é fato que pacientes otimistas aumentam suas chances de recuperação. Por incrível que pareça é possível medir o efeito da meditação e da música, no processo de cura de doenças. Pois é, ninguém botava fé. Mas hoje, médicos e cientistas se reúnem pra escutar o que o Dalai Lama tem a dizer. E acreditem: eles acreditam. Hospitais particulares quebram o protocolo, permitindo familiares em tempo integral dentro das UTIs. E até os bebês prematuros (na Paraíba e em Niterói), ganharam mais afeto e menos fios. Ao invés de aflitos nas  incubadoras,  eles se aquecem no aconchego de mini redes de flanela, um ambiente quase tão gostosinho quanto o útero materno. Essa  grande mudança baseia-se em pequenos gestos como, outro exemplo, um quarto de hospital com  janela e céu e verde. Chamam de humanização. Uma amiga minha precisou frequentar o Sírio Libanês durante 4 meses, como acompanhante. Ela conta que durante todo esse período a equipe fez várias pesquisas, sempre em torno do mesmo tema: o conforto dela e do paciente. Pelo jeito a ciência médica, tão expert em tratar dos outros, resolveu abrir seu próprio coração. Tomara mesmo. E que o movimento de humanização dos humanos assim continue.  (RL)

Rebanho

Lá estava eu, às 8h30, na fila. Assim como eu, centenas de outras pessoas. Amontoadas, obedecendo as ordens, seguindo o fluxo, tal como gado. Dando fim a monotonia da espera, fui escolhida por uma senhora para conhecer a história da sua vida. Enquanto tentava ler, ela me cutuva, falava, gesticulava. Ainda que eu não tenha pronunciado mais que duas palavras, certamente quem nos visse diria que éramos amigas de longa data. A espera se tornava ainda mais longa. Me deram um número, minha senha, 2722. O visor mostrava 2435. Nesse intervalo ia conhecendo os pormenores da rotina da mais nova amiga. A revista que inutilmente tentava ler, não era uma restrição ao ímpeto de socialização dela. Fui chamada ao primeiro guichê, ela quis me acompanhar, quem sabe dar uma ajudinha, mas foi impedida. Ficou chateada. Na sua vez, foi ao guichê e de lá me acenava. Na espera entre o segundo e terceiro guichê soube dos detalhes dos pormenores da sua rotina. Finalmente fui chamada, respondi duas perguntas e fui liberada. Fui para a fila do último guichê sabendo mais da vida dela que da minha. E nesse último guichê, sem que ela me contasse, soube de mais uma coisa: ela não conseguiu. Consegui o meu, estoicamente. O que não temos que aguentar por um visto americano… (RM)

De mulher pra mulher

Incrível a lupa com  que mulher repara em mulher. Se passa um homem bonito eu digo nossa, que gato e ponto. Não fico reparando na calça, na perna, no cinto, no cabelo…o homem é uma coisa só: bonito ou feio. Pelo menos à primeira vista. Depois…bom depois é o que mais importa mas não nesse post. Já uma mulher disseca a outra sem dó. Acho que é uma atitude de defesa, a gente repara “rosnando”.  Não digo que é instinto assassino mas sim, se a mulher “escaneada” for 99% linda e 1% feia esse 1% é a tábua de salvação pra auto estima, especialmente em dias de tpm. Eu reparo em mulheres que saem nas revistas.  Aproveito pra olhar bem já que nesse caso não corro o risco de ser mal interpretada. Tenho uma queda infantil por princesas – quem não tem? Então essa semana reparei na Letizia, aquela da Espanha. O único defeito que “encontrei” foi o fato de ela não ser eu. No mais ela arrasa.  Magra, alta, braços torneados e finos, rosto ao mesmo tempo delicado e forte, cabelo perfeito…ai caramba…ela me aparece na revista Hola com um vestido lindésimo e um coque no cabelo que eu até recortei pra ver se dá pra copiar num casamento em março. Então é o seguinte: a foto do cabelo eu entrego pro cabeleireiro. Quanto ao resto, tenho 6 meses pra correr atrás. Reparar em mulher pode ser bem esquisito mas como tudo na vida, tem um lado bom: é mais um motivo pra não desistir da dieta!

Ah! E o marido dela é um gato.  (RL)

Pequenas coisas importantes

Meu enteado já adulto contou uma história bonitinha. Ele resolveu voltar a nadar por isso foi na Cia. Athlética fazer uma experiência, antes da matrícula. Chegando lá, levou um susto: na piscina só tinha senhores grisalhos. Quando viram o garotão meio perdido fizeram a maior algazarra. Pula, pula! Ele, sem graça, disse que estava lá pra aula de natação, não de hidroginástica. Pula, pula!  A professora então explicou que não havia natação naquele horário. Pula pula! Não teve jeito, não deu pra escapar. Tchibum! Fizeram o batismo dele, espirrando água por tudo quanto é lado. Resignado, ele fez a aula inteira. Fez também a alegria dos colegas. Achei muito legal ele ter encarado essa situação assim, esportivamente. Seria bem mais fácil dar no pé. Penso que o candidato a aluno saiu de lá professor. (RL)

Grandeza

Qual o prazer em ser detestável? Não entendo essas pessoas que assumem essa postura de serem odiosas. Seja pela arrogância, pelos comentários inoportunos, pela indiferença. O prazer em destruir, em magoar, em ofender só pode ser obra de uma mente doentia, não entendo de outra forma. Uma mente saudável prospera, agrega, não se atém a mesquinharia. Não espera perfeição. Existem pessoas que nasceram para tornar o mundo melhor e outras que nasceram para emperrá-lo. Prefiro ficar ao lado de quem faz do mundo um lugar agradável, sensível, justo e acolhedor. Aos demais, que se agarram as misérias do dia-a-dia, que vivam acompanhados da própria mediocridade. (RM)

Metendo a colher

Tantas vezes o coração desobedece a razão! Ontem no restaurante, por exemplo. Escolhemos um vinho italiano perfeito. O pão do couvert veio quentinho e crocante. Bastava me concentrar, molhar o miolo no azeite, apreciar, conversar. Mas aí travei. E foi impossível retomar tanto o pão quanto a razão. Culpa do homem careca na mesa ao lado, que inconformado dizia: “Você acha que amante ganha anel de noivado?….Eu só preciso de um tempo, pra meus filhos não se assustarem demais…Não, não, eu não estou te escondendo….Minha mãe vai saber sim que você não é judia…Calma, eu só te fiz uma proposta, nunca pensei que você fosse reagir desse jeito…Eu te amo tá? Pronto, retiro a proposta”. Entre um palavrão e outro a namorada/amante/secretária/personal trainer ou  sei lá, chamava as pessoas da família dele de “gentinha”. Mandava ele retirar tudo o que disse. E o meu risoto de lagostim esfriando. Lá pelas tantas deu vontade de atirar minha taça de vinho na fulana. Quebrar a garrafa na cabeça amarela dela. Vontade de entupir sua boca suja com os pãezinhos. Espetá-la com o garfo. De manchar seu vestido branco com azeite e molho de tomate. E já que estávamos tão “integrados”, também deveria ter mandado a nossa conta pra ELA pagar. Mas não fiz nada disso. De novo, o coração desobedeceu a razão!

No caminho pra casa a solução me aparece, colada no poste. Pai Ambrósio, interceda pelo careca por favor! (RL)

Água mole em pedra dura

Tenho uma filha com enorme dificuldade em defender suas opiniões. Para piorar, ela fica nervosa, as palavras não saem (uma espécie de gagueira) e a frustração é dobrada.  Já minha outra filha, é uma versão feminina do Capitão Nascimento. Só vale entrar em uma discussão com ela  se a vontade for muito grande. Como faria o tal do Capitão Nascimento, ela é do tipo ‘pede pra sair’. Tem resposta para tudo, é ágil, ácida e competitiva. Ou seja, se no colégio falam para a primeira ‘sou melhor que você’ certamente ela responderá ‘também acho’. Se falarem para a segunda… bom, ninguém nunca mexe a segunda. Tentamos, há anos, que a primeira se imponha mais e que a segunda seja mais flexível. Sem sucesso. Há pouco tempo a mais durona presenciou uma cena desconcertante e resolveu ajudar irmã a ter respostas e uma postura mais confiante. Passou a criar situações onde a irmã teria que se defender ou sustentar uma opinião. Enquanto incitava um comportamento mais agressivo, minha filha durona escutava os argumentos humanistas da irmã que não conseguia jamais se imaginar agressiva com alguém. De uma hora para outra os relatos na saída do colégio começaram a mudar. A durona tem aceitado todas as críticas e a mais dócil já se meteu em duas brigas. Naturalmente que não é o comportamento que espero para nenhuma das duas. Mas já foi dado o start para uma mudança. Falta encontrar um ponto de equilíbrio entre o que são e o que pretendem ser. A mim só resta entender, finalmente, porque Deus me deu duas filhas tão absolutamente diferentes. (RM)

A pressa que eu sinto

Hoje de manhã protagonizei uma cena 3 em 1: embaixo do chuveiro, com uma das mãos eu escovava os dentes e com a outra alongava a perna.  Deu certo: me arrumei rapidinho e tive tempo de folhear o jornal antes de sair. Aí leio a noticia sobre os cortadores de cana que, incentivados por fazendeiros paulistas, consomem crack pra darem conta de trabalhar 14 horas por dia. Leio sobre o homem que melecou de ketchup a amante pra fingir que ela estava morta e faturar 1000 reais “facinho”. Que mais um bêbado atropelou pessoas. Que um ciclista é o mais rápido a chegar no centro da cidade. Que a internet passou a ser tão necessária quanto água, comida e moradia. Todos querem faturar logo, vencer logo, conectar logo. Logo, a pressa que eu sinto é normal. O que está me incomodando um pouco é uma outra noticia: será que ninguém leu sobre o satélite de 6 toneladas que vai cair, provavelmente em algum lugar da América do Sul, nessa sexta feira? Não sei se interpreto esse fato como uma razão a mais pra sentir pressa, ou a menos. Por via das dúvidas sigo firme na postura 3 em 1: olho pra frente, pros lados e pra cima, pelo menos até o fim da semana.   (RL)

Fartão

Quem mora em apartamento com jardineira deve padecer. Eu padeço. Todo dia é aquele ronronron na  minha orelha. Quer saber? Saturei !  Cansei de ver meu canteiro de lírios da paz transformado em campo de guerra: eu contra as pombas paulistanas. Elas chegam, ficam ali “arrulhando”, fazem suas necessidades, depositam ovos, doenças e mau cheiro. Entram por baixo das folhas e flores, transitam sem nenhuma cerimônia. Apelei pras espículas do Nunes, da dedetizadora. Na verdade são simples varetinhas que interceptam o pouso da pomba. Minha alegria durou 5 minutos. Que ódio. As malditas possuem vida inteligente e conseguem entrar pelo meio e por cima do canteiro. Chamei a segunda dedetizadora. Resultado: a blitz completa vai custar a bagatela de 1.800 reais. Sinto pena de mim e não das pombas. Elas apareceram sem ser convidadas e se recusam a sair pacificamente. Querem o que? Sangue na jardineira !!   (RL)

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