arquivo | fevereiro, 2012

Precisamos falar sobre isso?

Quando um casal se separa é natural que  falem sobre a divisão dos bens. A conversa pode não ser fácil mas ninguém questiona a necessidade de tratar do assunto. Resolvi escrever esse post porque tenho notado que quando o casamento vai muito bem obrigado, esse mesmo tema é um tanto mais complicado, extremamente delicado, nada natural, bastante constrangedor, um prato cheio para más interpretações, além de chato, e … necessário. Dinheiro, morte súbita, herança, testamento, patrimônio, quem quer falar sobre isso? Eu não. Eu sim. Vejo mulheres à deriva, mais velhas, na pindaíba, e isso me assusta. E por favor não caiam de pau dizendo que estou sendo machista. É preciso encurtar a distância entre o que se pensa e o que se diz, entre dizer e de fato fazer, tirar da frente qualquer desconforto. Em nome dos filhos, claro, mas também em nome de um futuro dialogado e seguro para a família toda. Acredito que uma DR honesta, madura e sincera, apesar de não nos livrar dos imprevistos da vida, pode sim nos preparar para encarar seja lá o que for, com tranquilidade. A imagem das corujas é pra cutucar a reflexão. Depois, conversando a gente se entende. (RL)

Nêutron

Mudar de colégio não é fácil, na pré-adolescência deve ser ainda pior. Mas o que não tem remédio, remediado está e assim sendo minhas filhas tiveram que se conformar em frequentar várias escolas. É o segundo ano que estão no colégio atual e as turmas estão misturadas. Achei ótimo, comentei. É mesmo ótimo respondeu a mais nova. Já a do meio tem suas ressalvas. Agora a turma tem grupos bem definidos: os nerds, os atletas, os metidos, os que não estão nem aí… Perguntei qual grupo era o dela. Pois é mãe, esse é problema. Não sou de grupo nenhum. Sou uma desclassificada. (RM)

Reparações de quem não assistiu todos os filmes

  • As lágrimas de Octavia Spencer, como é bom ver alguém chorando de pura felicidade, só pra variar.
  • Gwyneth Paltrow. Foi o look que eu mais amei. Se me permitem um humilde pitaco “fashion police”, só faltou um brinco mais vistoso.
  • Hugo. No, You go! No, Yu go! Bonitinha a brincadeira e bom o discurso de agradecimento dos film editors, sem enrolação nem papel amassado.
  • Quase enfartei mas também aplaudi de pé o Cirque du Soleil. Aflição master, que lindo!
  • Quantas mulheres de coque né? Alguns gigantes. Reparei mesmo porque pretendo copiar um deles no casamento de sábado que vem.
  • Depoimentos no intervalo. Bacana.
  • Caramba, Hugo de novo? Já é a quinta estatueta. E que inveja daquela garotinha sentada ao lado do Martin Scorsese, tão novinha e já na terceira fila. Uma questão de linhagem, I guess.
  • Christopher Plummer, aos 82, subiu trotando pra receber o seu Oscar. Inteiraço! Quando eu crescer quero ser igual a ele. No tempo presente queria ser a mulher dele, homenageada com a frase: ‘obrigado Elaine, por me salvar todos os dias da minha vida!’, que em inglês fica mais poético.
  • É agora…..best original song…o Brasil leva ou não???
  • Pena. Fui dormir. Daqui pra frente é com a Rejane.
  • Mas antes ainda vi os bracinhos Olivia Palito da Angelina. Os homens não devem ter visto porque, claro, foram reto pra perna dela.  (RL)

The Oscar goes to…

Não assistimos todos os candidatos, mas uma boa parte deles. Rimos, choramos, nos decepcionamos, comentamos, discutimos, defendemos e selecionamos os nossos vencedores. (RM)

Por Giulia (10 anos):

Melhor Filme: O Artista

Melhor Atriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro

Melhor Ator: Jean Dujardin, O Artista

Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas

Ator Coadjuvante: Não assistiu

Direção: Meia Noite em Paris, Woody Allen

Roteiro Original: Meia Noite em Paris

Roteiro Adaptado: Nenhum

Por Isabella (12 anos):

Melhor Filme: Histórias Cruzadas

Melhor Atriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro

Melhor Ator: Jean Dujardin, O Artista

Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas

Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor

Direção: Meia Noite em Paris, Woody Allen

Roteiro Original: Meia Noite em Paris

Roteiro Adaptado: A Invenção de Hugo Cabret

Por Giovanna (18 anos):

Melhor Filme: Meia Noite em Paris ou Artista

Melhor Atriz: Rooney Mara, Millennium ou  Meryl Streep, A Dama de Ferro

Melhor Ator: Jean Dujardin, O Artista

Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas

Ator Coadjuvante: Max Von Sydow, Tão Forte e Tão Perto

Direção: Michel Hazanavicius, O Artista

Roteiro Original: Meia Noite em Paris

Roteiro Adaptado: O Homem que mudou o jogo

Por Rejane:

Melhor Filme: O Artista

Melhor Atriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro

Melhor Ator: Jean Dujardin, O Artista

Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas

Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor

Direção: Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret

Roteiro Original: Meia Noite em Paris

Roteiro Adaptado: A Invenção de Hugo Cabret

Daslu

Ninguém é só ruim ou só bom, ninguém faz tudo 100% certo ou 100% errado. Somos uma mistura por vezes bem incoerente de pensamentos, sentimentos e atitudes. Só quando se chega ao fim da linha é que dá pra fazer, olhando pra trás, um balanço de quem realmente fomos nessa vida. Mesmo assim é difícil pois a verdade tem muitas versões e poucas pessoas sabem tudo à respeito de alguém. Eu não era amiga da Eliana Tranchesi, apenas a conheci de raspão. Mas fiquei triste com a sua morte. Tenho lembranças de adolescente na loja da Vila Nova e recentemente fui conhecer o novo espaço que é basicamente um retorno ao passado, sob nova direção. Sei que para muitos ela será lembrada como a mulher que foi pega, julgada e condenada. Outros lembrarão mais da mulher vencedora, da empresária que fez toda a diferença no mercado de luxo desse país. Aprovada ou reprovada ela não veio ao mundo a passeio. Viveu pouco mas deixou a sua marca fortemente registrada. Uma história nem 100% linda nem 100% feia mas, com certeza, emocionante, intensa e inesquecível.    (RL)

Acreditar é o melhor energético

Eu tinha certeza que em 2012 conseguiria assistir a maioria dos filmes que concorrem ao Oscar. Mas sei que já é tarde, muito tarde. Ano passado acreditei na mesma coisa. Toda vez eu juro que ficarei acordada até a última estatueta e apesar de nunca ter cumprido a promessa, continuo achando que dessa vez aguento. Engraçado. O verbo acreditar tem esse infinito poder de renovar sua força, parece até mágica. Alice, no país das maravilhas, acreditava em pelo menos 6 coisas impossíveis antes mesmo do café da manhã. Bom, meu plano é mais modesto. Vou adiar a corrida ao cinema(leio os resumos, alugo depois), e aposto todas as fichas numa única missão impossível: resistir na madrugada. Muito café, muita Coca Cola e petisquinhos, acho que vai dar certo.

Pensando bem, se não existisse esse sentimento – acreditar – o mundo não dava um passo.  (RL)

Veja bem…

Que as vezes dá vontade de passar a mão na cabeça e por o filho no colo, isso dá. Eles fazem besteira, voltam com aquela carinha de cachorro sem dono e pimba, amolecemos. Um recado importante que é esquecido, uma lição que não é feita, uma malcriação com a funcionária da casa. Deslizes que podem ser justificados. Afinal, um bilhetinho para a professora, justificando a lição não feita, não é infração assim tão grave. Ainda são pequenos, estão aprendendo, muito cedo para cobrar responsabilidades. Cedo também para responderem pelas consequências, podemos fazer isso por eles enquanto não aprendem. Assim formamos crianças confiantes. Crianças que podem tudo. Não tenho dúvidas que esse menino que atropelou e matou a menina de 3 anos não tinha a menor intenção em ferir ou matar alguém. Mas matou. E fugiu. A família não prestou ajuda, fugiu com ele. E agora o advogado justifica. Como se fosse um pequeno deslize, uma bobagem adolescente. Criança não precisa de justificativa. Precisa de consequência. Em coisas mínimas, que fazem parte do cotidiano. Precisa entender desde cedo o que é certo e o que é errado. Se soubesse a diferença, talvez esse menino não estivesse pilotando um jet ski. Se soubesse a diferença, possivelmente teria prestado ajuda. Se soubesse a diferença, entenderia que não há justificativa  ao matar uma menininha de 3 anos. (RM)

Para quem já teve um filho e plantou uma árvore

A Americana Francine Prose é escritora, ensaista, crítica e professora de literatura nas universidades Harvard e Columbia. No livro ‘Para ler como um escritor’, ela recomenda a lista de títulos abaixo, um belo desafio para quem deseja vitaminar a vontade de se tornar escritor. Ela tem autoridade no assunto. Cabe a nós concordar ou discordar, ler como leitor ou como futuro escritor. Uma bagagem dessas, certamente abre caminhos.  (RL)

Livros para Ler Imediatamente:

Akutagawa, Ryunosuke. Contos Fantásticos

Alcott, Louisa May. Mulherzinhas

Anônimo. A Cancão de Rolando

Austen, Jane. Orgulho e Preconceito

Austen, Jane. Razão e Sensibilidade

Bábel, Isaac. O Exército da Cavalaria

Balzac, Honoré de. Prima Bette

Brodkey, Harold. Quatro Histórias ao Modo Quase Clássico

Bowles, Jane. Duas Senhoras Bem-Comportadas

Brontë, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes

Calvino, Ítalo. As Cosmicômicas

Carver, Raymond. Where I’m Calling From: Selected Stories

Carver, Raymond. Catedral

Cervantes, Miguel de. Dom Quixote

Chandler, Raymond. O Sono Eterno

Díaz, Junot. Afogado

Dickens, Charles. Bleak House

Dickens, Charles. Dombey and Son

Dostoievski, Fiodor. Crime e Castigo

Dybek, Stuart. I Sailed With Magellan

Eisenberg, Deborah. The Stories (So Far) os Deborah Eisenberg

Eliot, George. Middlemarch

Fitzgerald, F.Scott. O Grande Gatsby

Fitzgerald, F.Scott. Suave é a Noite

Flaubert, Gustave. Madame Bovary

Fox, Paula. Desesperado

Franzen, Jonathan. As Correções

Gallant, Mavis. Paris Stories

Gaddis, William. The Recognitions

Gates, David. The Wonders of the Invisible World: Stories

Gibbon, Edward. Declínio e Queda do Império Romano

Gogol, Nikolai. Almas Mortas

Green, Henry. Doting

Green, Henry. Loving

Hartley, L.P. O Mensageiro

Hemingway, Ernest. Paris é uma Festa

Hemingway, Ernest. O Sol Também se Levanta

Herbert, Zbigniew. Selected Poems

James, Henry. Retrato de Uma Senhora

James, Henry. A Volta do Parafuso

Jarrell, Randall. Pictures From na Institution

Johnson, Denis. Angels

Johnson, Denis. Jesus’ Son

Johnson, Diane. Le Divorce

Johnson, Diane. Persian Nights

Johnson, Samuel. The Life of Savage

Joyce, James. Dublinenses

Kafka, Franz. O Processo

Kafka, Franz. Veredicto e Na Colônia Penal

Kafka, Franz. A Metamorfose

Le Carré, John. Um Espião Perfeito

Mandelstam, Nadezdha. Hope Against Hope: A Memoir

Mansfield, Katherine. Collected Stories of Katherine Mansfield

Márquez, Gabriel García. Cem Anos de Solidão

Marques, Gabriel García. O Outono do Patriarca

Melville, Herman. Bartleby, O Escrivão

Melville, Herman. Benito Cereno

Melville, Herman. Moby Dick

Milton, John. Paraíso Perdido

Munro, Alice. Selected Stories

Nabokov, Vladimir. Lectures on Russian Literature

Nabokov, Vladimir. Lolita

O’Connor, Flannery. É Dificil Encontra um Homem Bom

O’Connor, Flannery. Sangue Sábio

Price, Richard. Freedomland

Proust, Marcel. No Caminho de Swann

Pynchon, Thomas. O Arco Íris da Gravidade

Richardson, Samuel. Pámela: Or Virtue Rewarded

Roth, Philip. Pastoral Americana

Roth, Philip. Philip Roth: Novels and Stories 1959-1962

Rulfo, Juan. Pedro Páramo & Chão em Chamas

Salinger, J.D. Franny e Zooey

Shakespeare, William. Rei Lear

Shteyngart, Gary. O Pícaro Russo

Sófocles. Édipo Rei

Stead, Christina. O Homem que Amava Crianças

Livros Brasileiros para Ler Imediatamente:

(01) Abreu, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga

(02) Alencar, José de. Iracema

(03) Almeida, Manuel Antonio de. Memórias de um sargento de milícias

(04) Amado, Jorge. Tenda dos milagres

(05) Andrade, Mário de. Macunaíma

(06) Azevedo, Aluísio. O cortiço

(07) Buarque de Holanda, Sérgio. Raízes do Brasil

(08) Callado, Antonio. Reflexos do baile

(09) Cardoso, Lucio. Crônica da casa assassinada

(10) Carvalho, Bernardo. O sol se põe em São Paulo

(11) Cony, Carlos Heitor. Quase memória

(12) Cunha, Euclides da. Os Sertões

(13) Denser, Márcia. Animal dos motéis/Siana caçadora

(14) Dourado, Autran. Ópera dos mortos

(15) Drummond de Andrade, Carlos. Prosa completa

(16) Fagundes Telles, Lygia. As meninas

(17) Figueiredo, Rubens. Barco a seco

(18) Fonseca, Rubem. A coleira do cão

(19) Fonseca, Rubem. A grande arte

(20) Freyre, Gilberto. Casa-grande-senzala

(21) Guimarães Rosa, João. A hora e a vez de Augusto Matraga (in Sagarana)

(22) Guimarães Rosa, João. Grande sertão: veredas

(23) Guimarães Rosa, João. O recado do morro (in No Urubuquaquá, no Pinhém)

(24) Hatoum, Milton. Dois irmãos

(25) Hilst, Hilda. Ficções

(26) João Antônio. Malagueta, Perus e Bacanaço

(27) Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma

(28) Lins do Rego, José. Fogo morto

(29) Lins, Osman. A rainha dos cárceres da Grécia

(30) Lisboa, Adriana. Um beijo de Colombina

(31) Lispector, Clarice. A paixão segundo G.H.

(32) Lispector, Clarice. Laços de Familia

(33) Machado de Assis. 50 contos (org. John Gledson)

(34) Machado de Assis. Dom Casmurro

(35) Machado de Assis. Memorial de Aires

(36) Machado, Aníbal. A morte da porta-estandarte e outras histórias

(37) Marques Rebelo. A estrela sobe

(38) Nabuco, Joaquim. Minha formação

(39) Nassar, Raduan. Lavoura arcaica

(40) Nava, Pedro. Baú de ossos

(41) Noll, João Gilberto. A fúria do corpo

(42) Pena, Cornélio. A menina morta

(43) Piñon, Nélida. Fundador

(44) Pompéia, Raul. O ateneu

(45) Queiroz, Rachel de. Memorial de Maria Moura

(46) Ramos, Graciliano. Memórias do cárcere

(47) Ramos, Graciliano. São Bernardo

(48) Ribeiro, Darcy. Maíra

(49) Ribeiro, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro

(50) Rodrigues, Nelson. Teatro completo

(51) Sabino, Fernando. O encontro marcado

(52) Sant´ Anna, Sérgio. Um crime delicado

(53) Santiago, Silviano. Histórias mal contadas

(54) Santos, Joaquim Ferreira dos (org.) As cem melhores crônicas brasileiras

Minha mãe

No dia 20 de fevereiro de algum ano passado, cheguei na casa dos meus pais e vi um lindo buquê de flores. Perguntei de quem eram e minha mãe, que vinha descendo a escada, respondeu que eram para ela, meu irmão as havia dado. Perguntei que grande besteira ele havia feito a ponto de tentar se redimir com flores. Nenhuma besteira. Hoje é meu aniversário, respondeu ela. Possivelmente outras mães ficariam magoadas. A minha conta essa história as gargalhadas. Portanto minha mãe, estou longe e novamente não tenho presente e nem flores. Só o meu eterno e enorme amor por você. Feliz aniversário!! (RM)

Imperatriz Leopoldinense, 1989

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