arquivo | abril, 2012

Sensação de riqueza

Travel is the only thing you buy, that makes you richer. Não sei quem escreveu isso mas como eu apoio.

Estou me sentindo muito milionária.  (RL)

Carta do Wagner Moura

Entendo liberdade como a condição de um indivíduo não ser submetido a vontade de outro. E entendo privacidade como o direito que temos de escolher aquilo que queremos revelar sobre nós mesmos. Concordo com a carta do Wagner Moura. Mas além de criticar o programa e a audiência, criticaria também a postura dos fãs. Exposição e fama e são subprodutos de celebridades, mas nem um caso nem outro legitima a falta de educação. Ver a celebridade com frequência na tv ou em revistas não faz dela sua amiga. Tampouco lhe garante ou permite qualquer intimidade. Lembro sempre do Bussunda: em um elevador em Paris, entraram uns brasileiros e um deles comentou “Bussunda, que surpresa!”. “Surpresa o quê? Nem te conheço…” (RM)

Sacanagem

E daí que eu estava no shopping e resolvi fazer umas comprinhas no mercado. Fui tendo ideias, enchendo o carrinho, quando lembrei que estava sem sacola. Já tenho 1 milhão dessas sacolas ecológicas em casa, mas como sou chegada a um improviso, elas nunca estão comigo quando preciso. Como solução pensei em comprar a sacola mais baratinha, de R$ 0,59. Detalhe que, no caixa, descobri que eles não tinham essa de R$ 0,59. Nem a de R$ 1,99. Apenas a de R$ 2,99. Cá entre nós, isso não é lugar de gente feliz. Lugar de gente feliz tem sacolinha a R$ 0,59. Saí desfilando pelo shopping com as compras espalhadas pelo carrinho, mas não comprei a sacola. Só de ódio. E digo mais: to muito a fim de pegar essas sacolas que tenho em casa, ficar na porta do supermercado e fazer um dumping. Vou vender a R$ 0,10. Quero só ver quem vai ser feliz agora! (RM)

Em SP, atualmente, é vedado o uso de sacolinhas plásticas pelo supermercado.

Antes de viajar

Várias vezes já esqueci de cancelar o pãozinho da padaria e quando voltei tinha aquele monte de saquinhos encostados na porta da entrada de serviço, uma dó. Prejuízo bem pior é deixar habilitada a função roaming do celular; quem esquece se magoa muito no mês seguinte. Cartão de crédito é outra área sensível a mudanças. Tem que avisar a operadora quando vai, quando volta, em que moeda irá gastar, ou então será bloqueado pela maquineta. Férias sem pré-produção é só uma fantasia romântica mesmo. Aliás, quem se lembra daquela promoção viagem surpresa? O ganhador tinha direito a um único telefonema, ia da loja direto para o aeroporto, uma semana em Nova York com tudo pago. Era pegar ou largar. Que incrível mas putz que medo. Meu avião decola na sexta, desde segunda estou doidona.  (RL)

Aparência não é tudo

As amigas garantiram que ele era irresistível. Resolvi conferir. A aparência não era das melhores e a orelha também não me agradou. Ao mesmo tempo que se mostrava bacana, em nada empolgava. Para mim é óbvio: a primeira impressão é a que fica, portanto as primeiras frases devem ser interessantes, sedutoras, um convite a uma aproximação maior. Não basta ser bonito e agradável, tem que acrescentar alguma coisa. Ou pelo menos, ser divertido. Não era uma coisa nem outra. A urgência que eu sentia em tê-lo, logo foi embora. Livro é mesmo uma escolha muito pessoal, as vezes nem as melhores amigas acertam nosso gosto. (RM)

23 de abril, Dia Internacional do Livro

Linguagem de sinais

Me disseram que nos espetáculos do Cirque du Soleil eles escolhem voluntários da plateia de acordo com a postura física. As pessoas mais receptivas sentam de um jeito diferente, não ‘se trancam’ com os braços, sei lá. Deve ser verdade pois meu marido, que é um cara bem tranquilão, já foi eleito mais de uma vez. O maior mico foi há muitos anos, num show da Rogéria. Ele subiu no palco, posou de modelo para as piadinhas picantes e ainda tocou piano, sem perder o rebolado. Deve ser mesmo a linguagem de sinais ou então a Rogéria deu sorte. Outro dia achei graça na conversa de um médico que disse que quando ele entra no quarto do hospital e encontra sua paciente com o rosto maquiado, é por que está na hora de mandá-la pra casa. Segundo ele, as mulheres se arrumam e os homens leem jornal. Alguns gestos são hereditários, marcas de família. Meu irmão quando sorri entortando o canto da boca, é batata que lá vem mais um capítulo das Aventuras de Nicolau.   (RL)

Ficou ótimo

Olhando minha unha vejo que não resisto ao esforço. Assim como quando estou no carro e vejo aqueles meninos entregando propaganda de imóveis ou vendendo balas. Quando chego em casa tenho pilha de plantas de imóveis que nunca irei comprar e balas que não irei experimentar. Voltando a história da unha, essa semana minha manicure não foi trabalhar e fiz com outra que estava em seu lugar. Uma menina novinha, deve ter a idade da minha filha mais velha, uns 19 anos. Era sua primeira semana, tremia enquanto fazia o serviço. Ela realmente se esforçou, repassou unha a unha várias vezes, foi gentil. Agradeci, deixei gorjeta e vim embora. A unha não ficou bem feita, mas certamente ela irá se tornar uma ótima manicure. Os talentosos que me perdoem, mas eu prefiro os esforçados. (RM)

Uma questão de RG

Depois dos 40 começa o pega pega.  A memória parece que desencarna, foge desembestada, nos deixando órfãos de histórias da infância, adolescência, de livros, filmes, fica difícil lembrar até do almoço do dia anterior. Imagino uma impressora instalada lá no cérebro, trabalhando sem parar. De repente ela perde o contato com a CPU.  Tento reimprimir a festa de Natal de 1975  e, ao invés de receber uma página com fotos conhecidas, vem aquela folha em branco. Nada. Ou então uma cena incompleta, perdida no tempo, totalmente embaralhada. Acho um luxo chegar aos 90 e tantos anos com a cabeça funcionando bem, só assim vale a pena viver tanto. Minha avó acaba de completar 96. Ontem fui visitá-la e demos muita risada, tentando agarrar a unha algumas passagens da família, perdidas na poeira. A sensação de encontrar as peças do quebra cabeças, de encaixar uma na outra,  é uma delicia. Como um abraço no filho que chega de viagem.  Se tem uma palavra que muda de status, fica cada dia mais valiosa na vida da gente, é essa: a memória.   (RL)

Filhos ou padecer no paraíso?

Os melhores pais são aqueles que nunca tiveram filhos. Os que leem tudo e um pouco mais sobre crianças e que teorizam situações que não vivenciaram. São ponderados, pacientes, sensatos. Nos seus devaneios, filhos são criaturas divinas que nunca oferecem problema. Comem, dormem, obedecem em um equilíbrio perfeito. Um belo dia a criança nasce e com ela a realidade. Filho é uma loteria. Não é só ensinar que ele aprende, não só dar remédio que ele fica bom, não é só dar amor e o milagre está feito. Filho exige atenção 24h por dia, 7 dias na semana. Em algum momento vai faltar a tal da paciência. Em algum momento vamos sentir amor e raiva. E logo em seguida, culpa. Não existe manual com garantia de sucesso. O sucesso da formação depende de nós pais, dos amigos, do contexto e também, da própria criança. Ao contrário do que dizem, não acredito que a maternidade seja um dom inato. Por outro lado, acredito que algumas mães como essa da matéria abaixo, dão um significado todo especial a esse papel. (RM)

Meus filhos com autismo, um contraponto

Folha de São Paulo – 19/04/2012

Eles eram diferentes, mas eu insistia na maldita inclusão. Por que não deixar o especial dizer se ele quer isso? É fácil opinar dentro de consultórios

Parte 1: um pequeno prólogo

Em julho de 1994, fiz várias inscrições para adotar uma criança. Em setembro, recebi um telefonema dizendo que minha oportunidade de ser mãe havia chegado. Para a minha surpresa, em dose dupla. Assim, adotei os gêmeos univitelinos Rafael e Renato, com 19 dias.

Felicidade? Emoção? É pouco para descrever. Minha vida se transformou em um caos -mas o melhor caos que alguém poderia desejar.

Meus filhos pareciam qualquer outra criança. Mas percebi lentidão no seu desenvolvimento.

Os médicos disseram que era a minha ansiedade, que gêmeos demoravam mesmo. Minha intuição maternal dizia que não era isso.

Quando estavam com quase dois anos, levei os meninos ao neurologista. Com apenas alguns exames, o médico disse que meus filhos não andariam, não falariam e que seriam dois vegetais.

Fiquei zonza. Tive a nítida sensação de que ia desmaiar. Chorei por dois dias. No terceiro, vi que isso não resolveria o problema e busquei outros profissionais da área de saúde.

Resumo: meus filhos hoje estão com 17 anos, diagnosticados com autismo. Eles falam, andam, conversam, são alfabetizados e músicos. O autismo não é contagioso, mas o sorriso deles é. Minha vida se divide em antes e depois da chegada dos meus gêmeos.

Dificuldades? Temos várias. Não é fácil saber que meus filhos não farão faculdade, provavelmente não casarão nem me darão netos… Ainda me permito chorar às vezes, mas aprendi a sentir orgulho de mim mesma e, principalmente, deles.

Parte 2: a vida escolar

Quando tinham três anos, matriculei meus meninos em uma escola pequena e regular (particular). Enquanto tudo era só brincar, estava tudo certo. Nenhum problema.

A partir do momento em que eles foram crescendo fisicamente, tudo se complicou. Mentalmente comprometidos, eles não evoluíam pedagogicamente. Precisavam, portanto, ficar em classes com crianças pequenas. Eles eram sempre bem maiores que os demais alunos.

Meus problemas começaram.

As mães se assustavam com o tamanho deles. Sempre achavam que, no caso de uma agressão, seus filhos, tão pequenos e indefesos, seriam massacrados, embora meus filhos nunca tenham sido agressivos.

Nesse momento, a escola me chamou e disse, educadamente, que uma escola com mais estrutura para recebê-los seria melhor para eles.

Procurei o colégio onde estão até hoje, uma escola regular, com classes especiais. Nessa época, eles estavam com nove anos. Baseada e influenciada pelas ideias de psicólogos, insisti que ficassem em uma classe regular.

Novamente, um martírio. Pedagogicamente, a escola estava preparada, com um currículo feito especialmente para eles. Mas, socialmente, o sofrimento começou.

Eles não eram chamados para festinhas de aniversários, para grupos de trabalho, para os jogos de futebol. Nem a tão natural paquerinha acontecia com eles.

Eram pessoas diferentes, mas com uma mãe e especialistas insistindo na maldita inclusão.

Até que, aos 14 anos, eles pediram para estudar na classe especial.

Disso, meu questionamento: alguém já se perguntou onde a criança especial se sente melhor? Junto com a normal ou outras especiais?

De segunda a sexta, as crianças especiais podem até estar nas tais classes inclusivas. E no sábado e no domingo, quando os amigos se encontram? Seu filho especial não é convidado. Em uma classe especial, eles viajam juntos, vão a festas, namoram entre si -são felizes, enfim. Além disso, o desempenho escolar dos meus filhos nunca foi tão bom.

Por que só a visão dos especialistas é ouvida? Por que nunca dão às mães ou ao próprio especial a oportunidade de verbalizar o que eles acham melhor? É fácil escrever artigos sobre inclusão dentro de consultórios e depois ir para casa.

Um dia talvez a sociedade mude, quando as crianças especiais puderem fazer parte do círculo de amigos das normais. Até lá, nossos filhos serão mais felizes tendo aulas em lugares separados do que sendo rejeitados em classes normais.


ANA MARIA ELIAS BRAGA, 43, é esteticista

Acabou-se o que era doce

Ah não. Li no jornal que os macarrons da La Durée vão ganhar lojinha própria no Shopping JK Iguatemi. Acabou o glamour. Resta alguma coisa pra desejar quando viajamos? Tá certo que hoje em dia tem La Durée até dentro da Printemps, que as lojas de rua estão sempre repletas (La Durée lembra a minha avó e ela fala assim – repleta). OK que as filas na porta roubam um pouco do charme. Mas ainda assim, o macarron da La Durée é um daqueles pecados que a gente faz boca pra cometer, só e somente só quando planeja uns dias em Paris. Pensar que estarão disponíveis a 5 minutos de casa, sei não, acho que perde a graça. Aqui tem pão de queijo, quindim, brigadeiro, um montão de coisas gostosas que também adoro. Mas os macarrons, ah não, esses eu definitivamente prefiro degustar em francês.   (RL)

            Se estiverem fresquíssimos posso mudar de ideia.
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