arquivo | junho, 2012

Tem jacaré virando ouro

Está na moda fiscalizar shopping centers então fui dar um rolê, desarmada, no mais novo lançamento da cidade.

Arquitetonicamente é lindo. Não contei as vagas mas estacionei sem problemas, é boa a garagem. Não encontrei preços em euro, nem precisou, quase desmaiei em português mesmo. Preciiiso contar. Tem uma bolsa marron lá que custa 56 mil. Credo! Ou melhor, crôco! Feita de ‘puro crôco premium’ que fica de molho sei lá quanto tempo, até atingir a maciez desejada. E bota premium nisso! Oh, well. Muitas lojas ainda estão fechadas o que é estranho já que o shopping atrasou tanto pra abrir. Amei a loja de chá (Talchá) e os pátios ao ar livre. Tem uma escultura feita com bacias de alumínio que é muito legal. A La Durée é a La Durée, gostei mais de saber que tem a Bacio di Latte, uma sorveteria dos Deuses. Quem tem labirintite ou vertigem aconselho tomar cuidado na Daslu, é  espelho que não acaba mais, tem que ver isso.

O shopping fica provocantemente perto da minha casa. Farei novas fiscalizações, principalmente nas salas de cinema. Tomara que apressem a tal obra viária, aquela que já deveria estar pronta e que livra a barra do shopping com a prefeitura e com os cidadãos. Assim fico mais à vontade pra elogiar o que merece ser elogiado. Ou não. Quem sabe até me apego.   (RL)

Amélia não é mulher de verdade

É desolador constatar que ainda precisamos nos apoiar em uma figura masculina para conquistar algumas coisas, mesmo em situações corriqueiras. Com frequência uso o status de homem do meu marido para resolver pequenos problemas. E antes que você estufe o peito e diga eu resolvo tudo sozinha, saiba que eu também resolvo tudo sozinha. Por isso lhe digo: se fossemos homens seria mais fácil. Seja com a coordenadora do colégio, com o gerente do banco, com o motoqueiro que se estatela na traseira do carro. No trabalho tive, muitas vezes, vontade de ser homem. Mesmo na nossa condição mais sagrada, da maternidade, eu tive vontade em alguns momentos de ser homem. Tem coisas que só podem sair da fantasia de um homem. Se eles passassem 9 meses enjoando, engordando e pingando leite, jamais inventariam essa história de padecer no paraíso. Por essas e por muitas outras tenho vontade de ser homem, mas nessa última semana a vontade de mudar de gênero foi por conta da Carol Francischini. Nunca tinha ouvido falar dessa menina e de repente ela se tornou o assunto do momento. Primeiro por ser pivô da separação do Gagliasso. E agora o bafafá em torno da paternidade do bebê, com direito a enquete nos principais portais de notícias. Ele pegador, ela piriguete. Tenho uma preguiça enorme dessas causas que deveriam fazer parte do passado. Esse momento da história não deveria ser uma fase pós-feminista, pós-racial, pós-homofóbica? Nas notícias de hoje tem a lista dos últimos relacionamentos da Carol, cota nas universidades e dois irmãos que, confundidos com homossexuais, foram espancados. Um sobreviveu. (RM)

Tamo Junto

O coordenador telefona para avisar ao pai de um aluno que seu filho será suspenso porque saiu da escola sem autorização. No dia seguinte tem uma prova importante, o pai tenta negociar mas não tem jeito, suspensão não dá pra adiar. Conformado e ‘p’ da vida com o filho, ele desabafa dizendo que também vai punir o menino, do jeito dele: nada de jogo do Corinthians essa semana. Tem certeza? Caramba, proibir de ir ao jogo? A resposta veio firme:  Claro! Na minha casa esse é o único castigo que funciona.

Desligaram. O coordenador não teve dúvida, desistiu da suspensão na hora.

Essa história aconteceu mesmo, há pouco tempo. Mas achei legal contar hoje porque os envolvidos, nesse momento, já estão nas imediações da Bombonera, preparados para se infiltrar na torcida do Boca Juniors já que esgotaram-se os ingressos da Fiel. Vale tudo, até assistir o jogo com a camiseta do outro time, de bico calado, por fidelidade ao escudo do timão.

Ainda bem que não foi esse o jogo dado em sacrifício pelo mau comportamento. Porque deixar de assistir a final da Libertadores, contra os Argentinos…

peraí maluco, tamo junto, na moral!

Nem um Corinthiano merece um castigo desses.  (RL)

Reparações de uma pré-adolescente

Respeitamos mais aqueles que não nos aceitam.

De que adianta fazer redação se na vida real usamos apenas 140 caracteres?

Gente linda gera gentileza.

O maior medo da humanidade não é morrer. É ficar offline.

(RM)

Ninho Vazio

Quando os filhos saem de casa pra cuidar da própria vida, os pais precisam reinventar a deles. Foi-se o tempo em que eles só debandavam com o casamento. Se o seu filho namora, pode se preparar pois o ninho ficará vazio enquanto ainda está ocupado. Quer dizer, o ninho vira hotel. Eles entram, tomam banho, pedem alguma coisa, saem de novo. Ou então chegam trazendo o namorado e se enroscam na sala de TV até altas horas. Os pais vão nanar bem mais cedo. Veja bem, não deixa de ser um treinamento, tem que ver o lado bom da coisa. Eles estão incentivando a nossa independência. Mas escuta aqui, essa lição de casa não era deles? Perdi alguma coisa?  (RL)

Distorção da Realidade

A funcionária que iria cobrir as férias dos caseiros agora em julho, ligou e disse que não vem. Alegou que o vizinho paga melhor. Não faço leilão de jeito nenhum e a moça vai ficar sem trabalho já que o vizinho é meu tio e não está precisando contratar ninguém. Quando construímos essa casa, no interior de São Paulo, precisei lidar com muitos orçamentos. A  experiência com os armários da cozinha foi hilária, pra não dizer totalmente desonesta. O primeiro número (de um fornecedor que é referência no mercado) veio altíssimo. Comparei valores e acabei fazendo com o nosso marceneiro mesmo. Isso porque a tal empresa ‘top’ resolveu dar um desconto de 70% quando percebeu que o cliente parecia não ser tão otário. Aposto que se eu ligar para a moça que não quer trabalhar porque está convencida que pode arrancar um pouco mais de mim, ela vem. É fácil desmascarar a lei de Gérson. Mas não seria bem mais fácil se ela não existisse? Ai que preguiça.  (RL)

Você tem fome de quê?

Houve um tempo que eu contava, com orgulho, que não sabia sequer fritar um ovo. Mas diz o ditado que se aos 40 formos igual aos 20, jogamos 20 anos da nossa vida fora. Portanto posso contar agora, com orgulho ainda maior, que sou capaz de preparar minha própria comida. Descobri que é preciso ter coragem para cozinhar. Coragem para experimentar novos sabores e para partilhar com os outros o resultado conseguido. De todas as coisas que aprendi cozinhando, sem dúvida a mais bacana é que não existe maneira mais fácil de entender que é errando que se aprende. E ainda que o resultado não seja o esperado, só o fato de relaxar, reunir a família, os amigos, partilhar pratos e histórias, vale o empenho. Sem contar a experiência única de unir os 5 sentidos em uma mistura de aroma, tato, sons, visão e, por fim, sabor. Cozinhar é um ato de amor em sua forma mais sublime e poética. É se entregar sem garantias. A recompensa não é a conquista, mas o sentimento pleno de sentir-se uma pessoa melhor. (RM)

Eis a questão


Lula ficou mal na foto. A desculpa do partido é que a decisão foi tomada no laço, sem ouvir os conselheiros. Já na Conferência Rio + 20, havia conselheiros demais e, para dar ouvidos a todos, foi preciso se conformar com um documento borocochô.  Seja na politica ou na vida pessoal, precipitar-se é um perigo e pensar demais também. Deu no que deu.  Perdemos  a Erundina e o compromisso com planeta, ou melhor, com nós mesmos.  (RL)

Gente fina, elegante…sincera(?)

Você é assim?

Não? Bem-vinda ao clube. A modelo é uma graça mas não entendo o que ela faz em uma revista para mulheres mais velhas. Ela tem quanto, uns 14/15 anos? As mulheres são alvo de crítica quando tentam retardar o envelhecimento, mas há quanto tempo não nos vendem beleza e sim juventude? Em uma das revistas que vi, logo após o editorial de moda tinha um anúncio de página inteira de um creme anti-rugas. Ótima sacada do anunciante, dá vontade de encomendar um container. Ou de correr pra um cirurgião. Aliás, das mulheres que conheço, quase todas já se esticaram, preencheram ou lipoaspiraram. Por essas e por outras é que gostaria de encontrar nos editorias de moda ou beleza mulheres mais velhas. É possível ser bonita e elegante com ruga e com medidas normais. Conheço muitas assim. Mulheres reais. Porque são essas, as reais, que nos inspiram e que fazem o mundo girar. (RM)

Dyospirus Kaki

Sou doceira assumida, daquelas que raspa a panela do brigadeiro. Mas se tem uma fruta que me seduz é o caqui, cortado em 4 e geladinho. Como um por dia, até o último caqui da feira, do supermercado, da quitanda, da safra. Ano passado descobri o mini caqui, que também passei a amar. Fofinho, molinho, delicioso. Fiz até sorvete de caqui, que não é tão gostoso quanto a fruta mas enfeita a mesa que é uma beleza, num tigelão transparente.

Quando eu era criança meus avós tinham fazenda em Itú, com um pomar bem grande nos fundos da sede. Pena que na época eu não era tão chegada, perdi a chance de ter meu pé de caqui particular. Me lembro da árvore, com uma copa baixa e espalhada e dos caquis lá pendurados, engordando depois mudando de cor. Me lembro tanto. Perto do muro, um pouco acima e à esquerda do galinheiro, depois das mangueiras e das mixiricas, no mesmo rumo do pé de abil.  (RL)

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